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Precursores
Capitão Francis Grose [1], em 1788, escreveu que "A arte da caricatura é geralmente considerada como um dom perigoso, mais próprio a tornar seu possuidor temido do que estimado; mas é certamente injusto condenar o abuso a que qualquer arte está sujeita, como argumeto contra a própria arte". Esta é uma das primeiras considerações sérias sobre a caricatura no mundo e uma das que melhor retartam o fenômeno da caricatura até os dias de hoje, talvez por ter sido escrito no período dos últimos dias do reinado de Luís XVI e Maria Antonieta. Randal Daves, em seu livro cita que "a caricatura é uma arte gentil, primeiramente praticada só nos intervalos dos conspícuos trabalhos do atelier de uma grande escola de pintores italianos, e na adolescência ainda relacionada com a inofensiva finalidade de extrair um agradável passatempo de certos absurdos pessoais, ou talvez inventando-os onde realmente não existisse nenhum."
Os irmãos Carraci, do qual Randal cita em seu texto acima, foram os precursores inconsientes dessas arte no Renasmento. Talvez pela moda vigente do Ritrato ridicolo di cui siansi esagerati i difetti ou procurado em trabalhos fantásticos de Leonardo da Vinci. A palavra caricatura vem do latim caregare, carregar. Podemos ver no século XVIII este termo associado com Giuoco, tanto quanto Sherno.O sentido, não é exatamente exagerar, mas acentuar. o sentido moderno do termo (que nos leva ao conceito moderno de caricatura) pode sim ser uma síntese, se encaramos síntese quase como essência. A caricatura encarrega-se de um desvelamento heideggeriano, mostra como o sujeito é na verdade. Neste período, podemos sentir um fervor na Europa por diversão, onde vários grupos de teatro de sombras fizeram fama. A diversão que muitos de nós fazemos em nossos cadernos escolares, ridicularizando um professor de características exclusivas, os Carraci o faziam em intervalos de suas obras. Pelo fim do século XVIII, a caricatura ficou excencialmente voltada para o lado cômico, levando para o imaginário popular atual o conceito de apenas caricaturas por motivos de deformação. De certo que em um dado momento, foi despertado o interesse pelo poder que aquelas caricaturas produziam no imaginário popular, que divulgavam os acontecimentos contemporâneos. Por vezes, a história recorre a uma charge ou caricatura para a compreenção exata dos fatos. Podemos condecorar portanto, como um códice. Lembro-me de uma defesa de tese sobre o desmonte do morro do Castelo, no Rio de Janeiro, defendida por um arquiteto, onde foram levantadas todas as charges sobre o assunto. O curioso, foi a pertinencia que ganhou a defesa, por causa das charges. Elas mostravam com muito sarcasmo, mas com profunda intromissão real na ferida do Estado, que produziu uma das maiores reformas urbanas da cidade. Não só levantavam suspeitas acerca das verbas para o projeto, como trazem o debate a discussão sobre os focos de doenças do morro. (1)
Podemos voltar mais um pouco no tempo e recordar as inscrições hieroglíficas egípcias. Nelas, podemos ver cenas pitorescas do dia-a-dia do antigo egito, com notas cômicas intencionais em cada uma delas. (2)
Aliás, como descreveu Verena Alberti, Deus quando criou o universo, criou a partir de um riso. Seu nome em hebráico, tem a sonolidade de um riso, ou seja, podemos delinear um marco no Renascimento, como o surgimento da caricatura de humor, mas devemos nos lembrar que o DNA do ser humano, possui um gene do humor.
Nietzsche disse: "Admitamos que num retrato um grande pintor tenha descoberto e traduzido a expressão mais completa de que um homem seja capaz, o que se possa chamar o instante-tipo desse homem. Se mais tarde o pintor encontrar seu modelo, quase sempre pensará ver uma caricatura."
Creio que a caricatura pode acentuar a diferença por acrescimo ou subtração ,
dependendo do ponto de vista, o resultado é o mesmo. O resultado final da é que vai
ficar o mais importante ou o mais caracteristico . Isso pode ser chamado de síntese.
Antes disse Gilberto Freyre: "Exagerando numa personalidade, os traços característicos, a caricatura dá às vezes um relêvo a constantes de uma cultura inteira.
Podemos perceber que no fim do século XVIII, o conceito de caricatura se aproximava do
cômico, com a sagaz característica das deformações. Um título singelo e fino para
re-caracterizar a caricatura, que até então estava condicionada a grotescas
transformações para monstros.
Grose, Francis Cap..Rules for drawing caricatures, with an essay on comic painting. Londres, 1788
Daves, Randal. Caricature of to-day
Rui e a Caricatura
Alberti, Verena. O riso e o risível na história do pensamento. Zahar Editores
Lima, Herman..História da Caricatura no Brasil. Livraria José Olympio Editora, 1963
Cotrim, Álvaro..Pedro Américo e a caricatura. Edições Pinakotheke, 1983
[1] Francis Grose, por Francis Grose - internet
Lima, Herman..História da Caricatura no Brasil. Livraria José Olympio Editora, 1963
pág.109
Foto particular de autocaricatura
O pintor e caricaturista Pedro Américo, teve vida e obra aplaudidos pelo mundo, aclamado por sua versatilidade e cercado de polêmica. Nasceu em 4 de abril de 1843, em Areia, na serra de Borborema, Paraíba. Autor de telas como Brado do Ipiranga e Batalha do Avaí, também participou com charges no semanário Comédia Social. Como vários pintores da época, Pedro Américo não conseguiu fugir à regra.
[This is the answer to the question.]